terça-feira, 18 de abril de 2017

Voa Marina, voa

Marina passeando pela Vila Madalena, levantando os pés para voar

Marina, 6 anos e 10 meses.
Já tem mais tempo de vida não mamando do que mamando.
Em 2 meses acaba seu primeiro setênio.

Mas você acha que precisa dar menos atenção? rsrsrrsr
A cada 30 segundos pelo menos um "mamainnnn!!!!", me ajuda, me dá uma coisa pra comer, brinca comigo, me faz companhia.... e por aí vai.

E aos poucos ela vai criando sua independência.
Os sete anos são um marco na vida do ser humano. As lembranças de bebê vão ficando para trás, eles começam a ver no mundo coisas que não são bacanas assim, começam a ter seus dilemas, passam por crises de autoconfiança, têm momentos de imposição, de submissão, choram ainda como se fossem pequenos e nos surpreendem com atitudes bacanas como crianças maiores já. Demonstram mais entendimento sobre alguns "nãos" que damos mas morrem de felicidade com cada "sim" que ouvem.
Ficam felizes por poderem de vez em quando poder andar na rua sem nos dar a mão, mas ao menor sinal de perigo ou sono ou frustração pedem um colinho.

É uma transição bacana, que nos demanda ainda muita atenção, talvez mais do que no período da amamentação, mas são os primeiros passos que nossos passarinhos dão para começar a voar. Batem as asas, mas não têm força ainda para sair do ninho, então ensaiam, voam dois palmos do chão e voltam ao ninho para descansar.

Voa Marina, voa. Agora é só ir. E eu estarei aqui sempre.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Matando saudades

Marina, aos 6 anos e 9 meses dormindo no colinho
igual à época que mamava.



"Mamãe, hoje vou dormir no colinho aqui na sala"

Meu colinho estará sempre disponível, Marina, não importa sua idade.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Carta


Hoje eu quero dedicar aqui, nesse espaço que durante tanto tempo foi para descrever e dividir o meu mundo de amamentar minha primeira filha, Marina, aos meus filhos, irmãos da Marina, que não puderam nascer.

Em 2013 relatei aqui que estava grávida, logo após o desmame natural da Marina. No entanto, dois meses depois, vimos tudo se acabar em contrações... Em 2014 foram mais duas gestações e, em 2015 mais uma.

Hoje, 3 anos e meio depois, não sou mais forte, parafraseando minha prima Vivian que não pôde ter Carol em seus braços às 38 semanas de gestação, sou diferente.

Ainda dói. Ainda tenho dó. Ainda me salta o coração, ainda me treme as pernas. E por isso, escrever é parte da minha cura.

Não sei se tenho os nomes de todos... Helenas e Henriques... não sei. Mas hoje quero me despedir. Não deixo de amá-los porque estou me despedindo. Mas gostaria, em nome do amor que criamos naquele tempo tão curtinho, de pedir a ajuda de vocês para poder continuar minha missão aqui. Sabe, a vida aqui não é fácil e acho que vocês sabem disso, acho que vocês puderam sentir isso e, sua irmã Marina precisa muito de mim e do seu pai aqui para que ela possa seguir a jornada dela. Ela também sente muito a ausência de vocês. O pai de vocês é durão por fora mas sentiu muito também a partida de cada um de vocês. Ele não podia fazer nada também. Ele fez tudo, tudo com muito amor e sentiu cada um de vocês.

Assim como foi com sua irmã mais velha, a chegada aqui em  meu ventre de cada um de vocês foi comemorada como um prêmio. Fomos premiados com 4 vidas que viveram em mim, cada uma pelo tempo que precisou. Mas mamãe às vezes ainda não entende porque isso foi acontecer. E cada vez que eu penso nisso, choro muito. Conversamos muito enquanto vocês ainda residiam aqui. Mas depois, como mamãe é humana e os humanos são muito complicados, eu maldizia cada acontecimento. E isso me machucava ainda mais e acho que eu feria vocês também. Nenhum de vocês tem culpa. Infelizmente o corpo humano tem suas falhas e suas sequelas. E envelhece também. Fomos vítimas disso. Não há quem culpar.

Jamais me esquecerei de vocês. Cada positivo, cada borboleta que batia em meu ventre e cada primeira contração. Eu pari vocês. Sozinha. Eu pude viver isso com cada um. Muitas vezes imagino como seria meu dia aqui com vocês. E às vezes sofro com isso. Mas agora, meus Henriques e minha Helenas, preciso seguir meu caminho. Marina precisa muito de mim. Cada um de vocês 4 me teve por inteira nos melhores e piores momentos. Marina também precisa. Seu pai também precisa. Eu preciso.

Marina diz à todos que tem 4 irmãos e eu concordo. Eu e seu pai temos 5 filhos. Uma aqui conosco e 4 Henriques e ou Helenas que estão nos aguardando quando nosso caminho aqui terminar. Marina sempre pergunta se nos veremos e eu tenho certeza de que teremos essa oportunidade.

Não impedirei pelos meios cirúrgicos ou químicos que não venham, mas também não tentaremos mais. Sigam seus caminhos, não tenham medo. Mamãe e papai estarão aqui, lembrando de vocês com amor e cuidando da Marina. O laço que nos uniu nunca vai nos separar.

Com muito amor

Mamãe.
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